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É notório passeando pela cidade do Porto
como a herança liberal ainda transparece muita força. Aqui D. Pedro IV
marcha trazendo a Carta Constitucional na sua mão direita, a sua dádiva aos
portugueses.
O corpo de D. Pedro IV foi transladado para o Brasil em 1972 por decisão dos
governos de ambos os países. No entanto o coração de D. Pedro IV ainda se
encontra em solo português. A Igreja de Nossa Senhora da Lapa alberga o
coração de D. Pedro, por doação testamentária como reconhecida gratidão à
cidade no papel que os seus cidadãos tiverem na reconquista pelo exército da
Liberal.
«Cortado de tantas e tão árduas fadigas arrebatado de morte prematura
(24 de Setembro de 1834), No momento em que passava desta a melhor vida,
deixou em testamento a esta nossa antiga mui nobre, heróica, sempre leal e
invicta cidade este tão precioso penhor do Seu Ser.»

«Tendo de depositar-se na Igreja
de Nossa Senhora da Lapa o Coração Magnânimo de S.M. I. o Duque de
Bragança, por ser esta a vontade de S.M.F., a Câmara Municipal participa
a V. Sªs que no dia de amanhã, sete do corrente Fevereiro, se há-de
fazer naquela Igreja o depósito de tão precioso Legado; e que V.S.ªs,
como Administradores daquela Igreja, têm que assinar auto em que se
declare ficar ali depositado. ... Porto, em Câmara, seis de Fevereiro de
mil oitocentos e trinta e cinco.... Vicente Ferreira Novais, Presidente»
PORTARIA do MINISTÉRIO DO REINO
«Devendo em poucos dias ser transladado desta Capital, conforme a última
vontade de S.M.I. o Senhor Duque de Bragança, de Saudosíssima Memória, o
seu Régio Coração, que Legara Magnânimo à Mui Nobre e Sempre Leal Cidade
do Porto, como testemunho irrefragável de apreço em que sempre teve os
heróicos esforços e a Devoção Cívica com que seus briosos e denodados
habitantes o acompanham na lide porfiada e sanguinolenta de que essa
Ilustre Cidade fora Teatro; e desejando S.M. a Rainha, por efeitos de
Sua Piedade e respeito filial, que a vontade do Augusto Testador seja em
tudo fielmente cumprida: Há por bem ordenar que se participe à Câmara
Municipal da Mui Nobre e Leal Cidade do Porto que uma Embarcação de
Guerra movida por vapor sairá do Tejo mui provavelmente no dia quatro do
próximo mês de Fevereiro para levar o precioso legado que seu Magnânimo
Pai deixara àquela Heróica Cidade.
....
Sua Magestade, .... deseja que se expeçam as ordens convenientes para
que a recepção do Régio Coração, e o seu Depósito na Capela de Nossa
Senhora da Lapa, sejam, dignas, não só da heróica Cidade, que tem que
pagar este último tributo de gratidão ao seu Libertador, mas igualmente
apropriado ao grandioso objecto a que se dedica.
Palácio das Necessidades em vinte e três de Janeiro de mil oitocentos e
trinta e cinco - Bispo-Conde Frei Francisco.
AUTO DE ENTREGA
«Aos sete dias do mês de Fevereiro de 1835, nesta Cidade do Porto e Real
Capela de Nossa Senhora da Lapa, achando-se ali presente ... o ajudante
de S.M.I. o Duque de Bragança, encarregado por S.M.F. a Rainha de
conduzir a esta Cidade o caixão que contém a urna em que se encontra o
Coração Magnânimo do Excelso Príncipe, S. M. I. o Senhor D. Pedro, Duque
de Bragança, de Mui Saudosa Memória, que Generoso, havia doado a esta
Cidade do Porto ... fez entrega à Câmara de um caixão de mogno com
argolas... dentro do qual está um estojo forrado de veludo preto, com
porta e chave, e dentro deste a urna de prata dourada... que comprime os
líquidos nos quais se conserva o Coração Imperial... tendo a urna duas
inscrições, uma em latim e outra em português.»
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